CRAV promissor no reinício do campeonato

No sábado 6 de março, em Arcos de Valdevez, o Clube de Rugby local deixou fugir a vitória nos últimos minutos. Com a última jornada disputada a 16 de janeiro, o Campeonato Nacional da Honra de Rugby reiniciou-se com um jogo impróprio para cardíacos.

À imagem do que acontece com todos os setores, as competições de rugby em Portugal têm vivido um momento atribulado. Apenas a divisão de Honra está em atividade, após uma suspensão de seis semanas, decretada pela Federação Portuguesa de Rugby (FPR) após a unanimidade dos clubes envolvidos.

Com efeito, se o calendário da FPR tivesse sido integralmente cumprido, faltariam apenas quatro jornadas para a conclusão do campeonato. No entanto, o CRAV praticamente não jogou, depois de um terrível mês de dezembro em que a equipa ficou obrigada a isolamento profilático que comprometeu os jogos desse mês. Em janeiro, após vários adiamentos suscitados pelo cenário pandémico, a situação pouco melhorou com apenas um jogo realizado.

O jogo com o S.L. Benfica corresponde deste modo à reposição da primeira jornada da fase final do Campeonato da Honra, que era suposto realizar-se a 9 de dezembro. Claramente favorita, a equipa das águias apresentou-se perante uma equipa da casa ainda a tentar recompor-se de uma época muito difícil, com pesadas baixas no plantel relacionadas com a pandemia e lesões.

O jogo iniciou-se com um sinal positivo dos arcuenses, que impuseram um jogo vivo, de sucessivas penetrações e circulações de bola, que culminaram com um 3-0 na conversão de uma penalidade ao segundo minuto de jogo. Ainda com esta toada dos da casa, o Benfica, na sequência de uma jogada de contra-ataque, materializou com um ensaio o seu forte ascendente nas formações ordenadas que viria a marcar o jogo (3-5). De seguida, o jogo caracterizou-se por algum equilíbrio, onde sobressaía a já assinalada vantagem dos lisboetas nas formações ordenadas, assim como na circulação rápida do jogo à mão. Da sua parte, o CRAV respondeu com um jogo ofensivo menos organizado, aproveitando alguma indisciplina do adversário que cometia muitas faltas. Resultado deste equilíbrio foi o facto de ambas as equipas marcarem 3 pontos na sequência da conversão de penalidades, que ditou como resultado final 6-8 a favor dos visitantes ao intervalo.

Na segunda parte, a equipa do CRAV tentou tomar conta das operações. Na forma aguerrida que a carateriza, procurou impor-se no terreno adversário, o que a fez marcar um ensaio a rondar o minuto 50 (13-8). Entretanto, o equilíbrio era a nota dominante: a paragem competitiva das equipas condicionou o seu rendimento, dado que cometiam erros com frequência, fossem eles táticos, fossem más opções de jogo. Da parte da equipa da casa, o desacerto nos alinhamentos era flagrante, tendo dificuldade em consolidar a posse de bola, da parte da equipa da casa somavam-se as faltas, quer ofensivas quer defensivas, que não lhe permitiam avançar no terreno.

No entanto, além do equilíbrio, a emoção era dominante: ao minuto 30, a equipa consegue marcar um ensaio, que a faz passar para a frente do marcador (13-15). Cerca de sete minutos depois, o CRAV responde com a conversão de uma penalidade, que suscita uma nova alteração no marcador (16-15). Com toda esta emoção, os nervos eram maiores do que a lucidez. A dois minutos do fim, na sequência de um erro cometido num alinhamento, a equipa minhota perde a bola e as “águias” não se fizeram rogadas: numa jogada rápida circulam a bola e marcam ensaio, ditando como resultado final uma suada vitória do S.L. Benfica por 16-20.

À imagem do que acontece nas outras modalidades, o jogo não teve público. Contudo, os staffs das equipas presentes não deixaram de ver um jogo interessante, que, embora com falhas de ambas as equipas, nunca deixou de ser emocionante.

Desta forma, o CRAV recomeça a época de forma animada e animadora, dando sinais de uma melhoria de rendimento, que se espera ver acontecer já no jogo da próxima jornada, a disputar a 13 de março em Cascais.