CRAV Desperdiça Reação Heroica e Cede Vitória ao RC Lousã em Jogo de Loucos nos Arcos

O Clube de Rugby de Arcos de Valdevez (CRAV) saiu derrotado, no passado dia 17 de outubro, num duelo eletrizante frente ao Rugby Club da Lousã por 39-43. A partida, a contar para o Campeonato Nacional da 1.ª Divisão (CN1), ficou marcada por uma entrada apática da formação caseira e por uma eficácia implacável dos visitantes, num espetáculo frenético que premiou o pragmatismo da Lousã e castigou a falta de clarividência dos minhotos nos momentos capitais do encontro.

O apito inicial trouxe consigo um cenário de autêntico pesadelo para os adeptos locais presentes no estádio. Completamente alheada do jogo e a demonstrar sérias lacunas na sua organização defensiva, a equipa do CRAV permitiu que o RC Lousã assumisse o controlo absoluto das operações logo nos instantes inaugurais. Em menos de 20 minutos avassaladores, os visitantes exploraram com mestria a desconcentração arcuense e carimbaram quatro ensaio. Perante um marcador que ameaçava contornos de “tareia” ainda muito cedo, a formação da casa teve de mudar de atitude e procurar assumir o controlo do jogo.

Gradualmente, o CRAV conseguiu sacudir a letargia inicial. Assentando o seu jogo de avançados e melhorando substancialmente a circulação da bola oval, os homens da casa conseguiram equilibrar as forças no terreno de jogo. A forte reação minhota traduziu-se rapidamente em pontos através de três ensaios , que devolveram a esperança às bancadas. Ao recolher aos balneários para o intervalo, o marcador registava um contraponto espetacular de 20-29, deixando antever uma segunda metade que seria imprópria para cardíacos.

A retoma do encontro trouxe a melhor versão do conjunto dos Arcos de Valdevez. Entrando com uma intensidade renovada, a equipa minhota desferiu um golpe rápido e chegou ao ensaio logo nos minutos iniciais do segundo tempo. Com o marcador a ditar uns curtíssimos 27-29, o CRAV colocava-se a apenas um passo de consumar a tão desejada reviravolta. O momento psicológico do desafio parecia ter mudado definitivamente de mãos, mas foi precisamente nessa fase de claro ascendente territorial que faltou discernimento à formação da casa.

Apesar de passar largos minutos completamente instalada no meio-campo adversário, a equipa do CRAV pecou por alguma falta de clarividência na hora de decidir. Algumas más decisões e a falta de discernimento contrariaram um reviravolta que parecia possível.

A punição para a ineficácia arcuense chegou na pare final do jogo. Numa demonstração de enorme eficácia e pragmatismo, a equipa da Beira, em dois contra-ataques, conseguiu dois novos ensaios que ditaram a sentença do encontro e dissiparam quaisquer dúvidas sobre quem levaria os pontos de vitória para casa.

Até ao fim, o CRAV demonstrou uma alma gigante. Recusando baixar os braços, a equipa ainda conseguiu cruzar a linha de meta por mais duas vezes, sendo que o último ensaio da partida aconteceu no derradeiro segundo do jogo. Esta reação final fixou o resultado nuns expressivos 39-43, garantindo aos minhotos um bónus defensivo de um ponto — prémio de consolação por averbarem uma derrota por uma margem inferior a sete pontos.

No balanço final, fica o mérito  da eficácia e solidez do RC Lousã, contrastando com o demérito de um CRAV incapaz de manter uma prestação competitiva consistente ao longo dos 80 minutos. O foco vira-se agora para a próxima jornada, agendada para 31 de outubro, onde a equipa arcuense terá uma deslocação que se antevê extremamente exigente ao difícil terreno do RC Montemor.

S

S

S