Sem apelo e sem agravo

Num dos jogos aguardados com expectativa da 3ª jornada da fase final do CN1, o R.C. Lousã bateu no passado 26 de março o C.R. Arcos de Valdevez com uns expressivos 52-14.

Era um jogo aguardado com expectativa. De um lado, e a jogar em casa, o R.C. Lousã surgia como grande favorito. A justificar este estatuto estão 12 jornadas do CN1 jogadas até agora com outras 12 vitórias, a maior parte delas com bónus ofensivo, isto é, com mais de quatro ensaios marcados. Por outro lado, o C.R. Arcos de Valdevez, equipa despromovida na época passada da divisão de honra, pareceria a equipa mais qualificada para contrariar a supremacia beirã. Embora a atravessar um período de renovação, mostrava ter peças do seu jogo com elevado potencial, que paradoxalmente, ainda não se afirmou.

Contudo, o dia dessa afirmação não foi o 26 de março. Com efeito, sobretudo na primeira parte, o R.C. Lousã mostrou ter a lição bem estudada e o jogo bem preparado, tendo marcado 5 ensaios sem resposta. Com uma entrada de rompante e muito determinados, os beirões marcaram o seu primeiro ensaio aos dois minutos, e o segundo sete minutos depois. A meio da segunda parte já ia no terceiro ensaio e tinha já praticamente garantida a vitória. Com superioridade nos alinhamentos e nas formações ordenadas, os lousanenses exploravam as conquistas de bola com circulações rápidas até ao outro lado do terreno, onde as debilidades defensivas dos minhotos eram evidentes. Por seu lado, o C.R. Arcos de Valdevez tentava jogar em perfuração aproveitando o a velocidade das suas linhas atrasadas, que, todavia, nada conseguiram por força da boa organização e da agressividade da defesa da equipa da casa. Ao intervalo, o resultado era de 35-0.

A segunda parte iniciou-se com a equipa do C.R. Arcos de Valdevez exprimir o seu orgulho ferido. Nos primeiros 15 minutos, teve o melhor momento do seu jogo, marcando dois ensaios. Aproveitando a velocidade das suas linhas atrasadas e impondo-se no bloco avançado, os arcuenses dominaram o jogo, fazendo pensar que o resultado poderia não estar tão seguro: o R.C. Lousã poderia perder o seu ponto de bónus ofensivo (teria que ter sempre mais uma diferença de três ou mais ensaios sobre o adversário) ou até mesmo a garantida vitória. No entanto, o jogo foi-se equilibrando: alguns erros, algum cansaço e opções discutíveis dos minhotos foram sendo aproveitadas pelos beirões, que, não sendo propriamente dominadores, foram mais eficazes. Com efeito, nos últimos 15 minutos, o jogo foi-se tornando mais emocional e mais confuso, e o R.C. Lousã, liderado pelo seu médio de abertura, com circulações rápidas de bola provocou erros defensivos nos arcuenses, que resultaram em três ensaios e no resultado final de 52-14.

Com este resultado e a vitória do R.C. Santarém sobre o Caldas R.C. por 19-18 no mesmo fim de semana, as contas no grupo do campeão ainda não estão ainda definidas. Se o R.C. Lousã caminha a passos largos para o apuramento para a final do campeonato, as equipas de Arcos de Valdevez, Caldas da Rainha e Santarém encontram-se praticamente empatadas (os minhotos estão um ponto atrás dos outros dois clubes) com três jogos ainda por realizar.

Nesse sentido revela-se de particular importância o jogo C.R.Arcos de Valdevez – Caldas, a disputar no dia 2 de abril em Arcos de Valdevez, em que os minhotos estão absolutamente proibidos de perder.