C.R. Arcos de Valdevez alimentar o sonho da final

No passado 2 de abril, o C.R. Arcos de Valdevez venceu o Caldas R.C. por 27-23 num jogo em que a emoção se manteve até ao último segundo.

 

No relvado da Coutada estavam duas equipas que estavam proibidas de perder. Embora a derrota não comprometesse definitivamente a ida à final, neste momento todos os pontos obtidos podem ser fundamentais: o R.C. Lousã caminha a largos passos para o primeiro lugar e para o consequente apuramento para o dia 14 de maio, deixando os três restantes candidatos – C.R. Arcos de Valdevez, Caldas R.C e R.C. Santarém – em patamares muito semelhantes na classificação.

O jogo começou com uma entrada de rompante dos da casa, que nos primeiros minutos se adiantaram no marcador com a conversão de uma penalidade. Os homens do Oeste responderam de imediato com a conversão de uma penalidade, e foram-se instalando paulatinamente no meio campo adversário. Daí converteram uma segunda penalidade (3-6) e foram afirmando o seu domínio do jogo: com uma presença forte nas formações ordenadas, uma defesa agressiva e alinhamentos onde mostrou supremacia, o Caldas R.C. ia dominando o jogo. O C.R. Arcos de Valdevez, por sua vez, parecia algo bloqueado: muitas faltas técnicas (passes para diante, más receções de bola, erros individuais iam-se somando, fazendo com que a equipa não conseguisse um fio de jogo nem conseguisse libertar-se da pressão adversária. Assim, foi sem surpresa que, no final da primeira parte, o Caldas marcou um ensaio, deixando o resultado ao intervalo em 3-11.

A segunda parte iniciou-se com um ensaio dos visitantes aos quatro minutos de jogo. Deste modo, o fosso entre as equipas ia-se cavando. A equipa das Caldas ganhava confortavelmente por 3-18. Por sua vez, os minhotos não conseguiam encontrar-se: o jogo não ganhava continuidade, os “avants” sucediam-se e as faltas também. O Caldas ia mantendo a sua receita de domínio territorial, posse de bola e progressão no terreno. No entanto, cerca dos sessenta minutos, a euipa da casa conseguiu um ensaio (8-18) que mantinha a esperança na vitória acesa.

No entanto, o entusiasmo pouco durou, pois poucos minutos depois, o médio de abertura do Caldas, em jogada individual, consegue um ensaio em contra-ataque que pareciam deitar por terra as ambições dos arcuenses. O jogo entretanto tornara-se lento, com muitas paragens prolongadas, sendo difícil criar dinâmicas que pudessem tirar os homens de Arcos de Valdevez de uma situação tão delicada no marcador.

No entanto, uma espécie de milagre aconteceu. Por uma conjugação de vários fatores, como o desgaste físico notório da equipa visitante, as substituições bem sucedidas, e inferioridade numérica dos homens das Caldas da Rainha, aconteceu uma espécie de “clic” no C.R. Arcos de Valdevez. Em menos de dez minutos, a equipa uniu-se, concentrou-se e focou-se, conseguindo marcar três ensaios consecutivos. Deste modo, quando tudo parecia perdido, a diferença pontual ia diminuindo: 15-23 passaram a 22-23 e o árbitro já estava a dar descontos de tempo. Foi na última jogada que uma série de perfurações e circulações de bola que os minhotos conseguem o quarto ensaio (27-23) que garantiu a vitória final.

O campeonato entrará agora numa paragem de três semanas, depois das quais a parte decisiva desta fase ocorrerá. Para o C.R. Arcos de Valdevez, no dia 23 de abril terá de realizar uma difícil deslocação a Santarém, a quem venceu na primeira volta por uma escassa diferença de dois pontos e a quem uma derrota significará o afastamento quase definitivo da final.